2011 razões para marchar por: desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, liberdade e igualdade.

Neste ano, a Marcha das Margaridas trará para Brasília 100 mil mulheres. O evento, que acontece nos dias 16 e 17 de agosto, é uma ação estratégica das mulheres do campo e da floresta para conquistar visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena.
A agenda política da quarta edição da Marcha tem como lema o desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. O movimento se apóia em sete eixos principais: biodiversidade e democratização dos recursos naturais – bens comuns; terra, água e agroecologia; soberania e segurança alimentar e nutricional; autonomia econômica, trabalho, emprego e renda; saúde pública e direitos reprodutivos; educação não sexista, sexualidade e violência; e democracia, poder e participação política.
“Nós temos a absoluta certeza de que a pobreza no nosso país tem sexo, tem a cara feminina, tem cor – são negras as pessoas mais pobres, e tem lugar – estão no campo e na periferia das cidades. Portanto, nossa pauta não tem só apelo, mas também legitimidade”, afirma Carmem Foro.

Saiba o que é a Marcha das Margaridas, clique aqui.

Leia mais: Trabalhadoras rurais entregam ao governo pauta de reivindicações da Marcha das Margaridas


Postado por Rita de Cássia Pimenta Ferreira do site Mobilização BR

“Me inspirei para escrever essa postagem em 2 momentos , um foi a abertura do quadro da Valéria, ontem , no Zorra Total , onde ela diz que está grávida e precisa arrumar um pai rico para a criança. E a outra situação, eu vi essa manhã ao sair de casa , dei de cara com uma pessoa que conheço há algum tempo e há um tempo atrás ela disse que precisava ter um filho da pessoa com quem ela vive para garantir seu futuro, segundo ela essa pessoa é ”porto seguro”, ou seja tem contracheque. Se nós mulheres , não nos posicionarmos diante da vida e das situações, fica muito difícil ter uma boa auto estima e ser feliz . A postagem de hoje é um desabafo e ao mesmo tempo um alô para as mulheres que ainda se encontram equivocadas em seus pensamentos e acreditam que o fato de forçar uma gravidez, e ter esse filho é motivo de vida segura. Isso é puro egoísmo, e a criança ? Que essas mulheres consigam acordar e perceber que elas não precisam de golpe para ter uma vida próspera, precisam apenas de trabalhar e lutar pelos seus ideais , se é que tem algum. Acabou o tempo em que um relacionamento se mantinha seguro por conta de uma criança, para se manter um relacionamento saudável é preciso acima de tudo , sinceridade e lealdade. Está aqui o meu desabafo, como mulher . Para algumas mulheres que se encaixam nesse quadro. Parabéns para as mulheres guerreiras. um Acorda para as mulheres golpistas .



Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras.

Veja trechos de sua entrevista ao jornal Brasil de Fato:

O senhor é socialista?
Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Por quê?
Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

O socialismo como luta dos trabalhadores?
O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

Leia a entrevista completa no site do Brasil de Fato.


Já é consenso entre aqueles que gostam ou não de futebol que Ricardo Teixeira é o cartola que manda e desmanda no futebol brasileiro. É ele, inclusive, o responsável pelo Cômite que organiza a Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil. Não só isso… é ele também quem decidirá o que será feito com os lucros auferidos com a Copa, afinal ele preside o Comitê, que tem como sócios o próprio Ricardo Teixeira e a CBF.

Foram feitas diversas denúncias não só nos últimos dias, mas desde que Teixeira passou a presidir a Confederação, lá em 1989. Doutrinado pelo seu sogro, João Havelange, que presidiu a FIFA de 1974 a 1998, Teixeira apenas aprofundou a política obscura e mafiosa do professor Havelange.

Não por acaso nos deparamos hoje com temas e ideias tais como a elitização do futebol, ou seja, exclusão das camadas populares dos estádios - ingressos caros; horários inapropriados das partidas para o torcedor; interesses televisivos de transmissão dos jogos; vendas de jogos apenas em canais por assinatura; futebol-empresa; obscuras transações de jogadores brasileiros para o futebol europeu; entre tantos outros pontos que podem ser tirados de cada tema citado.

Nos últimos dias, a entrevista que Teixeira concedeu à revista Piauí pautou diversos veículos de comunicação, senão todos, menos a Globo, óbvio. Na entrevista, o presidente da CBF diz “cagar e andar” para as denúncias que são feitas contra ele, além de demonstrar como a relação promíscua entre ele e as Organizações Globo é capaz de oferecer privilégios e “cagar e andar” para os torcedores que gostam, admiram ou vivem a cultura do futebol, hoje um negócio.

Se não for consenso, muitos acreditam que é impossível derrubar Ricardo Teixeira, o homem inabalável. Será mesmo? Será que um movimento de massas, com ampla participação dos torcedores que ainda acreditam no futebol; dos políticos que tem interesse em apurar essas ilegalidades; da parte da mídia - blogueiros progressistas –  disposta a denunciar essas falcatruas; e de diversos movimentos que enxergam que essas denúncias de corrupção podem afetar o desenvolvimento do país, pois envolve dinheiro público; não é capaz de derrubar o Poderoso Chefão?

Vamos à luta!

Link relacionado a uma das matérias de denúncia ao Ricardo Teixeira:


“Se depois de conseguirem do governo tudo que podiam pedir a Deus (tarifa extorsiva, descompromisso com a qualidade, velocidade que não se pode chamar de banda larga, e limite extremo de download), as teles ainda dizem que é ‘muito difícil’ levar a banda larga a 40 milhões de vítimas, vale perguntar: o que virá depois do caos?”

Clique aqui e leia na íntegra o artigo de Bajonas Teixeira de Brito Junior, doutor em filosofia.
*Ele faz uma reflexão e tradução do que pode significar esse acordo com as teles a respeito do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL)… ao invés de democratizar o acesso à internet parece que restringe…


16fev11

saudade.


*(Rael da Rima)

Porque você não mergulhou
No seu interior
Lá dentro tem amor
Guardado pra me dar
Sem fingir
Que tu me perdôo
Daquilo que passou
Eu sei te magoou
Mas deixa eu consertar
Pra ser feliz

Porque fico pensando em você
Você nem me liga e nem vê
Fico sonhando pra ter
Mas tô mostrando o porquê
Toda idéia aos pipoca
Que se importa no blando
A sua mente te enchendo de idéia torta
Dizendo que eu tava ali de esquema com a menina
Se ontem eu nem sai se quer pra algum lugar
Imagina se eu tivesse
Neguim, que bom falar
Tirava até fotinha e enviava por celular
Pra ajudar não vem um
Mas pra atrasar tem cem
E disso eu já sei
Por isso eu passei
Mas tô lutando

Ah se eu conseguir tudo que eu pedi
Se deus permitir vou te procurar
Pra gente sair, andar por aí, você me ouvir, quero te mostrar
O meu lugar
Te encontrar
Pra gente rir
Do mal que passou
Pra eu não deixar de acreditar que existe um verdadeiro amor


Acompanhe a matéria no blog do Artur Henrique, Presidente Nacional da CUT.

Clique aqui.

Rumo à vitória da democracia!!!

Mesmo debaixo de chuva, cerca de 25 mil pessoas compareceram ao sambódromo (Foto: Roberto Parizotti)


Por Maria Rita Kehl (artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo)

Entre os três candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas, não sabemos a verdadeira posição de Dilma e de Serra. Declaram-se contrários para não mexer num vespeiro que pode lhes custar votos. Marina, evangélica, talvez diga a verdade. Sua posição é tão conservadora nesse aspecto quanto em relação às pesquisas com transgênicos ou células-tronco. Mas o debate sobre a descriminalização do aborto não pode ser pautado pela corrida eleitoral. Algumas considerações desinteressadas são necessárias, ainda que dolorosas.

A começar pelo óbvio: não se trata de ser a favor do aborto. Ninguém é. O aborto é sempre a última saída para uma gravidez indesejada. Não é política de controle de natalidade. Não é curtição de adolescentes irresponsáveis, embora algumas vezes possa resultar disso. É uma escolha dramática para a mulher que engravida e se vê sem condições, psíquicas ou materiais, de assumir a maternidade. Se nenhuma mulher passa impune por uma decisão dessas, a culpa e a dor que ela sente com certeza são agravadas pela criminalização do procedimento. O tom acusador dos que se opõem à legalização impede que a sociedade brasileira crie alternativas éticas para que os casais possam ponderar melhor antes, e conviver depois, da decisão de interromper uma gestação indesejada ou impossível de ser levada a termo.

Além da perda à qual mulher nenhuma é indiferente, além do luto inevitável, as jovens grávidas que pensam em abortar são levadas a arcar com a pesada acusação de assassinato. O drama da gravidez indesejada é agravado pela ilegalidade, a maldade dos moralistas e a incompreensão geral. Ora, as razões que as levam a cogitar, ou praticar, um aborto, raramente são levianas. São situações de abandono por parte de um namorado, marido ou amante, que às vezes desaparecem sem nem saber que a moça engravidou. Situações de pobreza e falta de perspectivas para constituir uma família ou aumentar ainda mais a prole já numerosa. O debate envolve políticas de saúde pública para as classes pobres. Da classe média para cima, as moças pagam caro para abortar em clínicas particulares, sem que seu drama seja discutido pelo padre e o juiz nas páginas dos jornais.

O ponto, então, não é ser a favor do aborto. É ser contra sua criminalização. Por pressões da CNBB, o ministro Paulo Vannuchi precisou excluir o direito ao aborto do recente Plano Nacional de Direitos Humanos. Mas mesmo entre católicos não há pleno consenso. O corajoso grupo das “Católicas pelo direito de decidir” reflete e discute a sério as questões éticas que o aborto envolve.

O argumento da Igreja é a defesa intransigente da vida humana. Pois bem: ninguém nega que o feto, desde a concepção, seja uma forma de vida. Mas a partir de quantos meses passa a ser considerado uma vida humana? Se não existe um critério científico decisivo, sugiro que examinemos as práticas correntes nas sociedades modernas. Afinal, o conceito de humano mudou muitas vezes ao longo da história. Data de 1537 a bula papal que declarava que os índios do Novo Continente eram humanos, não bestas; o debate, que versava sobre o direito a escravizar-se índios e negros, estendeu-se até o século 17.

A modernidade ampliou enormemente os direitos da vida humana, ao declarar que todos devem ter as mesmas chances e os mesmos direitos de pertencer à comunidade desigual, mas universal, dos homens. No entanto, as práticas que confirmam o direito a ser reconhecido como humano nunca incluíram o feto. Sua humanidade não tem sido contemplada por nenhum dos rituais simbólicos que identificam a vida biológica à espécie. Vejamos: os fetos perdidos por abortos espontâneos não são batizados. A Igreja não exige isso. Também não são enterrados. Sua curta existência não é imortalizada numa sepultura – modo como quase todas as culturas humanas atestam a passagem de seus semelhantes pelo reino desse mundo. Os fetos não são incluídos em nenhum dos rituais, religiosos ou leigos, que registram a existência de mais uma vida humana entre os vivos.

A ambiguidade da Igreja que se diz defensora da vida se revela na condenação ao uso da camisinha mesmo diante do risco de contágio pelo HIV, que ainda mata milhões de pessoas no mundo. A África, último continente de maioria católica, paupérrimo (et pour cause…), tem 60% de sua população infectada pelo HIV. O que diz o papa? Que não façam sexo. A favor da vida e contra o sexo – pena de morte para os pecadores contaminados.

Ou talvez esta não seja uma condenação ao sexo: só à recente liberdade sexual das mulheres. Enquanto a dupla moral favoreceu a libertinagem dos bons cavalheiros cristãos, tudo bem. Mas a liberdade sexual das mulheres, pior, das mães – este é o ponto! – é inadmissível. Em mais de um debate público escutei o argumento de conservadores linha-dura, de que a mulher que faz sexo sem planejar filhos tem que aguentar as consequências. Eis a face cruel da criminalização do aborto: trata-se de fazer, do filho, o castigo da mãe pecadora. Cai a máscara que escondia a repulsa ao sexo: não se está brigando em defesa da vida, ou da criança (que, em caso de fetos com malformações graves, não chegarão a viver poucas semanas). A obrigação de levar a termo a gravidez indesejada não é mais que um modo de castigar a mulher que desnaturalizou o sexo, ao separar seu prazer sexual da missão de procriar.




"Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Porque então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens"
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